Para lesar Caixa Econômica, quadrilha utilizava pessoas de baixa renda, diz PF

Bando atuava desde 2010 em Teotônio Vilela, São Miguel dos Campos e Penedo; rombo na Caixa Ecnômica chega a R$ 220 milhões.
Delegados Fábio Maia, Bernardo Gonçalves e Antônio Carvalho explicaram como funcionava o golpe
Uma operação desencadeada pela Polícia Federal nesta quinta-feira (28) identificou uma associação criminosa, em Teotônio Vilela, formada por empresários, empregados da Caixa Econômica Federal e contadores que tinha como objetivo lesar a Caixa utilizando pessoas de baixa renda, que não possuíam capacidade financeira de adquirir imóveis.
 
De acordo com o delegado Antônio Carvalho, que comandou as investigações, a fraude utilizava o nome do programa “Minha Casa, Minha Vida” para atrair as vítimas, chegou a causar um rombo de R$ 220 milhões ao banco federal desde 2010. “O alvo eram pessoas cadastradas no Bolsa Família com uma renda aproximada de R$ 120 reais, ou seja, elas nunca poderiam conseguir o financiamento por receberem abaixo do permitido”, diz o delegado.
 
Ao todo foram conduzidas coercitivamente para a Delegacia de Polícia Federal, no Jaraguá, 37 pessoas indiciadas pelos crimes de associação criminosa, uso de documento falso e pela lei do colarinho branco – que versa sobre crimes contra o sistema financeiro federal. Destas 37, 11 empresários que atuam nas cidades de Teotônio Vilela, São Miguel dos Campos e Penedo, além de outros 14 empregados da Caixa Econômica prestaram depoimentos.
“O próximo passo das investigações é ouvir os gestores municipais”, diz o delegado que afirma ainda que o golpe se estendia para municípios menores de Pernambuco, Sergipe e Bahia. Em todos esses casos, ainda segundo o delegado, as vítimas sabiam que o procedimento não era o convencional autorizado pelo programa da Caixa e que limita o cadastramento de pessoas com renda aproximada de R$ 1.800. “Elas não eram inocentes e sabiam que estavam levando vantagem”, pontua.
 
Em Teotônio Vilela, cidade alvo da operação, o município formado por 40 mil pessoas registrou uma supervalorização dos imóveis durante os seis anos de atuação do grupo criminoso. “Essa é uma região com pouca gente e muita terra. Identificamos assim uma verdadeira bolha imobiliária que ocorria por lá”, destaca o delegado.
 
No crime, os funcionários da Caixa Econômica Federal atuavam como facilitadores na obtenção dos documentos necessários para que o golpe fosse construído e agilizado. “Vale lembrar que foi a própria Caixa Econômica que identificou a irregularidade a partir do não pagamento do restante das taxas cobradas. Eles identificaram no sistema as pessoas cadastradas de maneira irregular”, informa.
 
Em nota à imprensa, a Caixa Econômica Federal informa que a fraude, logo após ser identificada, resultou na demissão e suspensão dos 14 empregados. O banco ressalta ainda que continua contribuindo com a Polícia Federal no prosseguimento das investigações

 

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